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Leia os discursos dos astronautas da Artemis 2 de volta à Terra

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Os quatro astronautas que integraram a missão Artemis 2 –Reid Wiseman (comandante), Victor Glover (piloto), Christina Koch (especialista) e Jeremy Hansen (especialista)– falaram publicamente pela primeira vez, neste sábado (11.abr.2026), depois de retornaram da viagem de 10 dias ao redor da Lua.

Eis os discursos de cada um dos astronautas em evento da Nasa realizado em Houston (EUA).

Reid Wiseman –Eu não tenho a menor ideia do que dizer. Isso foi há 24 horas. A Terra era daquele tamanho pela janela e estávamos a Mach 39. E aqui estamos nós de volta em casa.

Cada um de nós vai dizer apenas algumas palavras, mas eu peguei o microfone primeiro, então vou começar: Victor, Christina e Jeremy. Estamos ligados para sempre. E ninguém aqui embaixo jamais saberá o que nós 4 acabamos de passar. E foi a coisa mais especial que já aconteceu na minha vida.

(…) Ninguém sabe o que as famílias passaram, cara. Isso não foi fácil. Estar a mais de 200 mil milhas de distância de casa.

Antes do lançamento, parece que é o maior sonho da Terra. E quando você está lá fora, você só quer voltar para suas famílias e seus amigos. É algo especial ser um humano. E é algo especial estar no planeta Terra. Obrigado”.

Victor Glover – Quando isso começou, em 3 de abril, eu quis agradecer a Deus em público. E quero agradecer a Deus novamente porque, ainda maior do que o meu desafio de tentar descrever o que passamos, a gratidão de ver o que vimos, fazer o que fizemos e estar com quem eu estava, é grande demais para caber em um corpo só.

E eu quero agradecer às nossas famílias por tudo o que ele (Reid) acabou de dizer. Então, ótimas palavras, ótimas palavras, ótimas palavras. Eu amo vocês, mas não apenas essas cinco lindas damas de pele cor de cacau ali. (Eu amo) todos vocês. E quero agradecer à nossa chefia. E ela mudou desde que estivemos aqui em abril de 2023, mas as qualidades não mudaram. E temos a sorte de estar nesta agência neste momento, juntos.

E então, vou me sentar. Obrigado também às nossas operações aéreas por esta instalação e pela nossa carona para casa vindo de San Diego. E eu amo vocês. Obrigado.”

Cristina Koch – “Eu não consegui dormir esta manhã, então escrevi algumas palavras na minha mente e vou tentar compartilhá-las com vocês hoje.

Há 10 dias, esta jornada começou com o nosso gerente de missão batendo na minha porta nos alojamentos da tripulação e sussurrando: “Cristina, vamos almoçar. Levante-se”. E terminou ontem à noite quando minha enfermeira no navio me colocou na cama e disse: “Poxa, posso ganhar um abraço?”. Então, muita coisa aconteceu desde então, ou entre esses dois momentos, mas o início e o fim foram momentos humanos aqui na Terra.

Vários anos atrás, eu estava dando um discurso e fazendo minha fala habitual sobre tripulação, companheiros de equipe e trabalho em equipe, e alguém fez a pergunta: “o que faz uma tripulação? O que há de diferente em uma tripulação em relação a um time?”. E eu pensei: “eu sei essa”. Abri minha boca com confiança para dizer a eles tudo o que eu sabia sobre ser uma companheira de tripulação. E tudo o que saiu da minha boca foi completamente sem valor. Eu disse algo como:

“Tripulação… eles, sabe, eles estão no espaço, e trabalham juntos, mas comem juntos também. Então, sabe, eles são uma tripulação. E barcos têm tripulações. Você é uma tripulação se estiver em um barco –ajuda se você tiver um remo, isso seria bom. Isso faria de vocês uma tripulação”. Mas, nos últimos 10 dias, obtive uma resposta um pouco melhor para essa pergunta.

Uma tripulação são pessoas ou um grupo que está nisso o tempo todo, não importa o que aconteça. Que está remando junto a cada minuto com o mesmo propósito. Que está disposto a se sacrificar silenciosamente uns pelos outros. Que faz graça e que mantém a responsabilidade.

Uma tripulação tem os mesmos cuidados e as mesmas necessidades. E uma tripulação está inescapavelmente, belamente e dedicadamente ligada. Então, quando vimos a Terra minúscula, as pessoas perguntaram à nossa tripulação quais impressões tivemos. E, honestamente, o que me impressionou não foi necessariamente apenas a Terra. Foi toda a escuridão ao redor dela. A Terra era apenas este bote salva-vidas flutuando imperturbável no universo.

Então, eu posso não ter aprendido —eu sei que não aprendi— tudo o que esta jornada ainda tem a me ensinar. Mas há uma coisa nova que eu sei e é: planeta Terra, vocês são uma tripulação. Obrigada”.

Jeremy HansenAcho que o que eu gostaria de compartilhar hoje são talvez três das experiências humanas para nós. E vocês não nos ouviram falar muito sobre a ciência, as coisas que aprendemos, e isso é porque elas estão lá. E são incríveis. Mas é a experiência humana que é extraordinária para nós, e parece que talvez para vocês também. Então, acho que vou começar com a gratidão.

Gratidão pela minha família, gratidão pela Nasa e por sua liderança, gratidão pela Agência Espacial Canadense, gratidão para com as canadenses e os canadenses. E eu tenho o poder de voltar com Reid, Christina e Victor ao Canadá.

Gratidão pela bravura e pela coragem das equipes em dizer “no go” (não prossiga) quando éramos “no go”, e “go” (prossiga) quando éramos “go”. Isso exigiu muito. E não acho que as pessoas jamais compreenderão totalmente o quão bem amparados e treinados nós fomos. É quase inacreditável.

E como minha filha diria: “vou tentar ficar focado aqui”. O próximo é alegria. Temos um termo em nossa tripulação que cunhamos há muito tempo: o trem da alegria. E vocês viram, eu acho que viram, parece que viram muita alegria lá em cima. Houve muita alegria. Nem sempre estamos no trem da alegria nesta tripulação. Há muitas vezes em que não estamos no trem da alegria, mas estamos comprometidos em voltar para o trem da alegria assim que pudermos.

E essa é uma habilidade de vida útil para qualquer equipe que tenta realizar algo. E a última… eu preciso da ajuda de vocês para isso. Venham aqui, pessoal.

A última é o amor. O que vocês viram foi um grupo de pessoas que amava contribuir, ter uma contribuição significativa e extrair alegria disso. E o que temos ouvido é que foi algo especial para vocês presenciarem, e a razão pela qual eu pedi que eles se levantarem aqui comigo é porque eu sugeriria a vocês que, quando vocês olham para cá, não estão olhando para nós. Nós somos um espelho refletindo vocês. E se vocês gostam do que veem, então olhem um pouco mais fundo. Isso são vocês.”

Artemis 2

A missão Artemis  2, o 1º voo tripulado do programa lunar da Nasa desde 1972, foi lançada em 1º de abril de 2026, do Centro Espacial Kennedy, nos EUA. Quatro astronautas –Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen (Agência Espacial Canadense)– estiveram a bordo da espaçonave Orion, em um voo ao redor da Lua com duração de 10 dias.

O objetivo é testar sistemas da Orion –incluindo suporte à vida, comunicação e propulsão– e procedimentos de voo tripulado em torno da Lua, além de avaliar a rotina e desempenho da tripulação em condições de microgravidade. Os astronautas conduziram experimentos, monitoramento de sistemas e manobras de navegação, em testes para garantir a segurança e a eficácia de futuras missões lunares.

A missão chegou à Lua na tarde de 2ª feira (6.abr.2026), quando a Orion realizou um sobrevoo de 6 horas ao redor do satélite natural da Terra. Durante essa fase, houve um apagão de cerca de 40 minutos na comunicação com a equipe em solo, causado pela passagem da cápsula pela face oculta da Lua.

Assista ao momento do lançamento da Artemis 2 (3min45s):

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