O governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, decidiu desapropriar o terreno onde está instalada a refinaria de petróleo Refit, na zona norte da capital fluminense.
A informação foi publicada pelo jornalista Lauro Jardim e foi confirmada pelo Poder360 neste domingo (24.mai.2026).
Liderada por Ricardo Magro, a empresa é considerada pela Receita Federal a maior devedora do país, com R$ 55 bilhões em dívidas com os Estados, municípios e a União. A refinaria de Manguinhos, como o local também é conhecido, foi alvo de operações policiais e chegou a ser interditada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) em setembro e outubro de 2025.
A gestão fluminense ainda não divulgou qual será o valor da desapropriação, mas, de acordo com o jornal O Globo, Couto não deve pagar indenização a Magro. Deve descontar da dívida que a empresa tem com o Estado. São R$ 14,3 bilhões só em ICMS.
Na 5ª feira (21.mai.2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) citou Magro nominalmente pela 1ª vez. Até então, Lula vinha se referindo ao dono da Refit de forma indireta, como “um dos grandes chefes do crime organizado”.
Em 15 de maio, Lula pediu ajuda ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), para prender o empresário, que está foragido nos EUA. Ele havia sido alvo de operação da Polícia Federal no mesmo dia.
“Quer combater o crime organizado? Me entregue logo isso aí”, declarou Lula ao citar conversa que teve com o norte-americano sobre o assunto. Segundo o presidente, Magro é “o maior devedor do dinheiro público nesse país”.
Em resposta à decisão de Couto, a Refit disse em nota que as questões tributárias estão sendo resolvidas na Justiça e que as operações contra a empresa prejudicam a concorrência no setor de combustíveis, privilegiando um cartel. Leia a íntegra da nota ao final desta reportagem.
INVESTIGAÇÕES CONTRA A REFIT
O Grupo Refit foi alvo de investigação em 2010 sobre a máfia dos combustíveis no Rio de Janeiro, sob suspeita de realizar manobra fiscal para importar gasolina sem recolher impostos e vender o produto para distribuidoras.
A refinaria chegou a perder o refino como principal atividade e foi enquadrada pela Secretaria Estadual da Fazenda como distribuidora de combustíveis.
Em 2025, a empresa também foi alvo da operação Carbono Oculto, que apura fornecimento de combustíveis a distribuidoras ligadas ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
Em novembro, foi alvo de mais uma operação, a Poço Lobato. Era investigada por suspeitas de sonegação fiscal, fraude estruturada e ocultação de patrimônio que podem ter causado um prejuízo superior a R$ 26 bilhões aos cofres públicos.
As investigações chegaram, em 2026, a acusações de envolvimento do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Ambos se disseram inocentes.
Eis a íntegra da nota da Refit:
“A Refit esclarece que as questões tributárias envolvendo a companhia estão sendo discutidas no âmbito judicial e administrativo, como fazem diversas companhias do setor, incluindo a própria Petrobras, atualmente uma das maiores devedoras de tributos do Estado do Rio de Janeiro.
“Importante ressaltar que a atual gestão da Refit herdou passivos tributários acumulados por administrações anteriores e, desde então, vem adotando medidas para regularização dessas obrigações. Somente ao Estado do Rio, a empresa realizou pagamentos da ordem de R$ 1 bilhão no último exercício.
“As operações contra a Refit prejudicam a concorrência no setor de combustíveis e privilegiam a atuação de um cartel formado por 3 grandes empresas já condenadas pelo Cade por controlarem o preço do combustível nos postos, prejudicando a população e contribuindo para o aumento da inflação no país.
“A Refit jamais falsificou declarações fiscais para ter vantagens tributárias. Laudos científicos da carga apreendida nas últimas operações comprovam que o produto importado é óleo bruto de petróleo, conforme devidamente declarado no documento de importação. Causa estranheza a Receita Federal impedir a realização da perícia judicial que possa corroborar os laudos de profissionais já apresentados em juízo.
“A Refit nega veementemente ter fornecido combustíveis para o crime organizado. Ao contrário, sempre atuou como denunciante de postos ligados a facções criminosas, incluindo aqueles de bandeiras renomadas que integram o ICL (Instituto Combustível Legal) e foram alvos de operações policiais. Ressalta-se ainda que o fechamento da Copape, em meados de 2024, formuladora ligada ao PCC, também foi resultado de denúncias que partiram da Refit às autoridades e à ANP”.