O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) afirmou nesta 2ª feira (24.ago.2026) que os tribunais brasileiros “estão fazendo mais política do que propriamente justiça”. A declaração foi dada durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo.
Zema respondia a perguntas sobre os julgamentos no STF (Supremo Tribunal Federal) relacionados aos atos do 8 de Janeiro e à tentativa de golpe de Estado. O candidato classificou as condenações como resultado de um “julgamento nitidamente político” e defendeu uma anistia ou um novo julgamento dos réus.
“Eu daria anistia [caso eleito] ou, pelo menos, no mínimo, um tribunal que não seja político, um tribunal que seja judicial. Porque o que nós vimos no Brasil foi perseguição”, declarou.
A anistia, porém, não pode ser concedida diretamente pelo presidente da República. Segundo a Constituição, depende de lei aprovada pelo Congresso e sancionada pelo chefe do Executivo. Também não cabe ao presidente determinar um novo julgamento nem escolher o tribunal responsável pelo processo.
Zema afirmou que atos de depredação e vandalismo devem ser punidos, mas questionou a caracterização dos episódios como tentativa de golpe.
“Eu acho que deve-se punir pela depredação, pelo vandalismo. Agora, teve tiro disparado? Não teve nenhum movimento”, declarou.
BOLSONARO E URNAS
Zema tem defendido a anistia durante a campanha. Em julho, quando ainda era pré-candidato, defendeu um novo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado.
Na entrevista ao Jornal Nacional, Zema não citou Bolsonaro nominalmente. Também afirmou confiar nas urnas eletrônicas, embora tenha defendido a adoção de um comprovante impresso do voto.
“Fui eleito pela urna eletrônica, confio na urna eletrônica, que poderia ser melhorada se tivesse impresso, mas confio”, declarou. O candidato também se definiu como “totalmente democrata”.
Bolsonaro foi condenado pela 1ª Turma do STF a 27 anos e 3 meses de prisão. A Corte concluiu que o ex-presidente liderou uma organização criminosa com o objetivo de permanecer no poder depois da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022. O processo teve como relator o ministro Alexandre de Moraes.
DESEMPENHO EM MINAS
Pesquisa Datafolha divulgada em 22 de agosto de 2026 mostrou Zema com 10% e 8% em 2 cenários de 1º turno em Minas Gerais, Estado que governou de 2019 a 2026.
Lula liderou os 2 cenários, com 37% e 36%. Zema apareceu em 3º lugar. O levantamento ouviu 1.204 eleitores e tem margem de erro de 3 pontos percentuais.