O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou, nesta 5ª feira (22.out.2026), em uma foto publicada pelo jogador Richarlison, do Tottenham. O post do atacante abordou as eleições presidenciais de 2026.
Sem citar o nome de Lula ou do seu adversário Flávio Bolsonaro (PL), o atleta postou uma foto posando de costas, vestindo uma bandeira do Brasil como uma capa. Na legenda, escreveu: “Domingo é o dia mais importante para o nosso país nos próximos 4 anos! Como cidadão brasileiro, só queria pedir a todos que me seguem aqui que VOTEM. Analisem os planos de governo, vejam em quem vocês realmente acreditam que possa avançar nosso país, principalmente na educação, no emprego e na saúde. Todos merecem uma vida digna e, por isso, eu sempre me posicionei ao lado de estudantes, dos trabalhadores e da ciência. Eu nunca me esqueci de onde eu vim! Vamo, Brasil!”.
Em resposta a Richarlison, Lula comentou: “O voto é secreto, mas a gente sabe qual candidato te deu o calote da ilha… VOTE 13”. A fala do presidente se refere a uma controvérsia iniciada durante a pandemia da covid-19, em 2020 e 2021, envolvendo o jogador, Flávio e o advogado Willer Tomaz na compra de um imóvel em uma ilha no interior do Rio de Janeiro.
Apesar de não ter declarado explicitamente voto em Lula, a situação de Richarlison virou um símbolo para eleitores e políticos apoiadores de Lula, que usaram sua publicação para demonstrar voto ao petista.
Na 4ª feira (21.out), Lula também publicou um vídeo comentando a disputa judicial da mansão, afirmando que a Polícia Federal apuraria os fatos sobre o caso.
Assista (1min17s):
ENTENDA
Na época, Richarlison comprou uma mansão de R$ 10 milhões em Ilha Comprida, Angra dos Reis (RJ), junto com seu ex-empresário Renato Velasco e com o presidente do América-MG, Alencar da Silveira Júnior.
Segundo ele, Flávio demonstrou interesse no imóvel, chegou a visitar a mansão e fez ofertas de compra, mas todas foram recusadas. Em janeiro de 2021, Flávio retornou à casa, acompanhado de Willer Tomaz.
Em maio de 2022, a mulher de Velasco, que residia na mansão, foi despejada por um oficial de Justiça. A ordem de reintegração de posse atendeu a um pedido da M Locadora, representada pelo ex-ministro Eugênio Aragão, que alegava ter a posse do registro imobiliário desde 1986.
Paralelamente, Willer Tomaz utilizou sua empresa, a WT Administração, para quitar R$ 2 milhões em pendências fiscais da M Locadora por meio de um contrato de sub-rogação.
Com a garantia da posse em juízo, Tomaz regularizou a área na Secretaria do Patrimônio da União e transferiu o terreno para sua empresa. Ele alega ter investido R$ 5 milhões na operação e classifica os antigos ocupantes como “invasores”.
Para tentar reverter a decisão, a defesa de Richarlison pediu a inclusão de Flávio como testemunha no processo, visando comprovar que o imóvel não estava abandonado quando foi visitado pelo congressista. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça manteve a posse com a empresa de Tomaz em 2025.
O senador afirma não ter relação com o imóvel nem com a ação judicial, ressaltando que foi arrolado apenas como testemunha. O caso voltou a ganhar força nas redes sociais em outubro de 2026, depois de Richarlison comentar “e a minha ilha?” em uma publicação de Flávio no Instagram.
Posteriormente, o atleta divulgou um vídeo cobrando investigações da PF, afirmando que a Justiça falhou. Ele também disse que o senador e Tomaz tomaram o imóvel “na mão grande” sem desembolsar o valor da compra e prometeu doar parte do dinheiro ao hospital de sua cidade natal, Nova Venécia (ES), caso consiga reaver o montante investido.