O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu neste domingo (27.set.2026) a criação de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal e não se comprometeu a indicar uma mulher para a vaga atualmente aberta na Corte.
Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, Lula afirmou que pretende discutir uma mudança no critério de escolha dos ministros caso seja reeleito. Segundo ele, a indicação não deveria depender apenas da decisão do presidente da República.
“É preciso a gente discutir com muito mais cuidado a biografia das pessoas que vão assumir a Suprema Corte. Eu tô preocupado, agora, é com o critério de indicação. Tô preocupado com o critério do mandato. Eu sou a favor de mandato. O cidadão não pode ter 40 anos, 45 anos, 35 anos, sabe? Militante na Suprema Corte. Tem que discutir”, declarou.
Segundo Lula, o modelo atual permite que um ministro permaneça décadas no STF, dependendo da idade em que é indicado. Ele citou sistemas adotados por outros países como exemplos de modelos que poderiam ser discutidos.
Lula defendeu a criação de um mecanismo que envolva a sociedade civil na seleção dos nomes. Para ele, os indicados deveriam passar por um “crivo de um colegiado” antes de serem enviados ao Senado.
Escolha para o STF não será por gênero
Ao ser questionado se indicaria uma mulher para a vaga aberta no STF, Lula não assumiu o compromisso. Afirmou que a escolha deve considerar “a necessidade e a qualidade das pessoas”.
“Se tiver mulher em condições de assumir, eu já indiquei duas. Não tem nenhum problema de indicar mulher”, disse.
Lula também rejeitou a ideia de distribuir cargos com base apenas em critérios de representação. “A gente não governa repartindo o governo, um tanto de mulher, um tanto de homem, um tanto de negro, um tanto de branco”, afirmou.
O presidente disse, porém, que considera importante ampliar a participação feminina na política. Segundo ele, as mulheres são maioria na população e deveriam ocupar mais espaços no Congresso, nas prefeituras e em posições de comando.
Atualmente, o STF tem uma mulher entre seus 11 ministros: Cármen Lúcia. A Corte está com uma vaga aberta após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
Lula afirmou ainda que passou a dar mais atenção à biografia dos indicados depois de experiências anteriores. Segundo ele, o presidente não deve escolher necessariamente alguém de sua confiança, mas uma pessoa considerada adequada para exercer a função.
“Uma coisa é quando você indica, outra coisa é quando bota a toga. É quando o cara coloca a toga, ele vira Deus”, declarou.
O presidente também defendeu que ministros do STF sejam submetidos a critérios mais rigorosos de escolha e afirmou que pretende discutir o tema com juristas, advogados, academia e sociedade civil caso permaneça no cargo.