O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta 2ª feira (5.out.2026), que os Estados não conseguem combater efetivamente o crime organizado porque a “bandidagem cresceu” e se tornou uma “multinacional”.
A fala de Lula foi durante uma reunião emergencial da campanha que procura reverter o cenário para o 2º turno das eleições de 2026. O petista terminou o 1º turno, disputado no domingo (4.out.2026), com 45,16% dos votos. O candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) obteve 47,03%.
“O Estado sozinho não dá conta da segurança pública. E por que não dá conta? Porque a bandidagem cresceu. O crime organizado cresceu, ficou sofisticado, transformou-se numa indústria multinacional”, afirmou. Lula completou: “Eles entraram no Poder Judiciário, entraram nos partidos políticos, entraram nos clubes de futebol, entraram em tudo quanto é lugar”.
Lula defendeu que a responsabilidade pela segurança pública, transferida aos Estados pela Constituição de 1988, já não é suficiente diante do nível de sofisticação alcançado pelo crime organizado.
PEC DA SEGURANÇA PÚBLICA
O petista voltou a ressaltar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública enviada ao Congresso Nacional, que autoriza a União a participar diretamente da segurança pública e define o papel federal nessa área.
“O que nós estamos fazendo de concreto? Porque a gente não pode brincar de prometer o que não é possível fazer. Nós tomamos a atitude mais correta possível: mandamos uma Proposta de Emenda à Constituição para o Congresso Nacional”, afirmou.
Lula argumentou que, hoje, a Polícia Federal só atua em crimes de competência federal, o que limita sua capacidade de intervenção nos Estados.
A proposta tramita no Senado e deve ser finalizada só depois do fim do período eleitoral. Essa é uma das principais bandeiras da campanha de Lula.