O Ministério Público de Santa Catarina pediu nesta 3ª feira (10.fev.2026) a exumação do corpo do cão Orelha, que morreu depois de ser agredido em janeiro deste ano. Também foi aberto um procedimento preparatório para investigar a conduta do delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, na condução do caso.
A 40ª Promotoria de Justiça, responsável pelo controle externo da atividade policial, abriu procedimento preparatório com base em várias representações contra a conduta do delegado-geral no caso Orelha. O objetivo é avaliar a necessidade de inquérito civil para eventuais ações judiciais.
Em resposta ao Poder360, Gabriel afirmou não ter sido notificado sobre o procedimento. “Estou absolutamente tranquilo e confio na atuação do Ministério Público. Não tenho como responder por abuso de autoridade, muito menos por violação de sigilo funcional, pois não sou e nunca fui responsável pela investigação”, disse.
O delegado-geral entende que a decisão decorre de declarações dadas em conversa com jornalistas, nas quais as informações recebidas e divulgadas em coletiva não eram sigilosas, mas de conhecimento público.
Pedido de exumação
O pedido de exumação apresentado pela 10ª e pela 2ª Promotoria de Justiça identificou a necessidade de complementar as investigações depois da análise do inquérito policial e dos Boletins de Ocorrência Circunstanciados. O desenterramento servirá para novos exames.
A 10ª Promotoria, que atua na área da Infância e Juventude, solicitou o aprofundamento de diligências relacionadas a 4 boletins de ocorrência circunstanciados, além da juntada de vídeos relacionados a atos infracionais e registros envolvendo os cães.
Já a 2ª Promotoria de Justiça, responsável pelo acompanhamento do procedimento sobre a suposta coação feita por familiares dos adolescentes, indicou que as investigações precisam ser aprofundadas. Os promotores questionam a existência de relação entre a agressão ao cão e a acusação de coação.
O animal, que tinha 10 anos e vivia na praia Brava, no litoral de Santa Catarina, foi espancado por adolescentes em 4 de janeiro de 2026. No dia seguinte, foi sacrificado por um veterinário por causa da gravidade dos ferimentos.
Dois dos suspeitos estavam nos Estados Unidos e voltaram ao país em 29 de janeiro. Eles tiveram os celulares apreendidos. A Polícia Civil de Santa Catarina investiga o caso.
Nota completa do delegado-geral
Eis a nota completa do delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina:
“Não fui notificado sobre a instauração do procedimento preparatório. Mas pelo que entendi a instauração decorre de supostas falas na coletiva da imprensa do dia 27/01.
Estou absolutamente tranquilo e confio na atuação do Ministério Público. Não tenho como responder por abuso de autoridade, muito menos por violação de sigilo funcional, pois não sou e nunca fui responsável pela investigação. E as informações que recebi e declarei em coletiva não eram sigilosas, mas de conhecimento público. Todas as entrevistas nunca citaram nomes ou apresentaram fotos ou vídeos que identificam os investigados, sendo que o inquérito policial que apurou a possível coação no curso do processo era público.
Estou à disposição do Ministério Público para esclarecer o que for perguntado.
Saliento que há informações de dezenas de representações no MP em contexto apresentadas por movimentos políticos e motivações escusas ideológicas contra a PC e SC”.