O líder do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, declarou neste sábado (22.ago.2026) que países que participarem da “guerra econômica” dos Estados Unidos contra o Irã serão considerados inimigos do país persa. As informações são da agência chinesa Xinhua, com base em declarações de Rezaei à emissora estatal iraniana Irib.
Rezaei afirmou que o Irã negociará com os países e pedirá que se mantenham fora do conflito, mas, caso recusem, terão seus interesses atingidos. Além disso, o iraniano disse que se países vizinhos optarem por se juntar ao cerco norte-americano, o Irã não permitirá que “nenhuma gota de petróleo” seja exportada pelo estreito de Ormuz.
“Estamos dizendo a todos os países vizinhos para não se juntarem à guerra econômica dos EUA; caso contrário, nós os consideraremos inimigos”, afirmou Rezaei.
O líder iraniano disse também que o estreito de Ormuz permanecerá fechado a menos que os Estados Unidos cumpram os compromissos estabelecidos no memorando de entendimento de paz assinado entre o Irã e os EUA em junho de 2026. Declarou ainda que o governo norte-americano deve agir 1º desta vez.
De acordo com a rede de notícias Al Jazeera, sediada no Qatar, o Ministério das Relações Exteriores do Irã considera as punições econômicas norte-americanas uma “declaração de guerra” contra todas as nações. A chancelaria declarou que a medida representa uma tentativa dos Estados Unidos de exercer soberania extraterritorial sobre todos os países integrantes da ONU.
OFENSIVA ECONÔMICA
As reações devem-se a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), na 4ª feira (19.ago). O presidente anunciou uma nova ofensiva econômica contra o Irã. Os detalhes devem ser apresentados pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, na 2ª feira (24.ago).
Segundo Trump, a medida será a “operação econômica mais esmagadora já adotada contra qualquer país”, com ações para isolar o Irã e impedir o uso de mecanismos para contornar as sanções norte-americanas.
Em publicação em sua rede social Truth Social, o presidente norte-americano também declarou que países que permitirem que instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais ofereçam qualquer tipo de apoio econômico ao Irã enfrentarão “enormes consequências econômicas”.
A ofensiva amplia a pressão sobre Teerã em um momento de tensão entre os 2 países. O presidente norte-americano afirmou na 3ª feira (18.ago) que não há conversas ou negociações previstas com o governo iraniano depois do fim do memorando de entendimento firmado entre os países.
O estreito de Ormuz também permanece no centro da disputa. A passagem é estratégica para o comércio mundial de petróleo e tem sido alvo de impasse entre o Irã, os Estados Unidos e países da região desde a escalada militar no Oriente Médio.