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Após menção a Gonet, cúpula da PGR cita desânimo com investigações

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Integrantes do Conselho Superior do Ministério Público Federal falam em “desânimo”, depois de verem seu chefe, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ser citado no relatório da Polícia Federal que trata da investigação relacionada a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e ao ministro Alexandre de Moraes. 

A avaliação de integrantes da cúpula da instituição ouvidos pelo Poder360 sob reserva nesta 3ª feira (1º.set.2026) é de que o pedido de Gonet pela nulidade das investigações é impróprio e que o inquérito deveria ficar com o vice-PGR, Hindemburgo Chateaubriand. A decisão final é do próprio PGR, que decidiu continuar no caso.

Segundo o relatório da Polícia Federal, Gonet e Daniel Vorcaro iniciaram uma relação a partir de um evento financiado pelo Banco Master, em Londres.

Mensagens do advogado Ciro Soares indicam que Gonet pediu que houvesse disponibilidade de “charutos” e “whisky Macallan”. Conforme a PF, Gonet também pediu a Vorcaro para bancar ida de seu filho para Londres.

O Poder360 noticiou em março de 2026 sobre a degustação financiada pelo Master para autoridades do Poder Judiciário, incluindo também Gonet e o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

PEDIDO DE NULIDADE

Gonet pediu a nulidade do inquérito logo depois que o ministro André Mendonça, Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo das investigações. O magistrado encaminhou o caso para que seja discutido no plenário do STF. Cabe ao presidente do Tribunal, Luiz Edson Fachin, pautar a questão.

A decisão de Mendonça para levantar o sigilo foi tomada pouco tempo depois da reunião do Conselho Superior do MPF nesta 3ª feira (1º.set). Os integrantes do conselho só souberam das informações envolvendo o procurador-geral depois do encontro, presidido pelo próprio Gonet.

O procurador-geral falou em possível “abuso de poder” pelo magistrado. No Ministério Público, porém, o entendimento é de que a menção criou um clima ruim por Gonet pedir a nulidade tão rapidamente.

Entre as críticas no MPF está a de que um dos argumentos citados por Gonet foi que Mendonça pediu investigações por ofício. Isso contraria a posição que o próprio Gonet adotou no inquérito das fake news, cujas diligências foram pedidas pelo ministro Alexandre de Moraes também por ofício.

BASTIDORES DA PGR

A avaliação entre as fontes ouvidas pela reportagem é de que possa se aplicar a Lei Orgânica do Ministério Público da União. O dispositivo determina que investigações por crimes comuns contra o PGR são de atribuição do Conselho Superior, que deverá indicar um subprocurador-geral para atuar no caso de forma isenta.

O inciso 10, do artigo 57 da Lei Complementar nº 75 de 1993, diz que cabe ao conselho “designar o Subprocurador-Geral da República para conhecer de inquérito, peças de informação ou representação sobre crime comum atribuível ao Procurador-Geral da República e, sendo o caso, promover a ação penal”.

Ou seja, é a hipótese da cúpula para avaliar como o caso deveria seguir na tramitação. Além disso, há também integrantes da carreira que voltam a mencionar a necessidade de se escolher um procurador-geral da República da lista tríplice, para dar maior autonomia e independência institucional.

A avaliação de alguns é que Gonet não poderá levar o MPF para uma “crise institucional” do próprio Supremo. 

OUTROS LADOS

O Poder360 procurou Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e a defesa de Daniel Vorcaro para comentar as mensagens e o relatório da Polícia Federal. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

O Poder360 também tentou entrar em contato com Ciro Soares, mas não teve sucesso em encontrar um telefone ou e-mail válido para informar sobre o conteúdo desta reportagem. Este jornal digital seguirá tentando fazer contato e este texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada.

RELATÓRIO DA PF

As informações constam de um relatório de 218 páginas produzido pela PF a partir da análise do celular de Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero. O documento reúne mensagens, registros de chamadas, arquivos, contratos e outros dados encontrados no aparelho do fundador do Banco Master.

A Compliance Zero foi deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). Vorcaro foi preso na 1ª fase da operação, em 18 de novembro de 2025.

O relatório foi elaborado a pedido do ministro André Mendonça, do STF, para identificar integrantes de uma possível rede de influência e monitoramento atribuída a Vorcaro. A PF entregou o documento em 27 de agosto de 2026.

Parte das mensagens analisadas foi enviada pelo recurso de visualização única do WhatsApp. Por isso, em diversos diálogos reproduzidos no relatório, é possível identificar mensagens enviadas por Vorcaro, mas não conhecer o conteúdo das respostas do interlocutor. No caso das conversas com o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, isso impede reconstruir integralmente parte dos diálogos.

A própria PF afirma que a análise “não possui caráter exaustivo”, porque foi realizada no prazo de 72 horas determinado para atender à requisição judicial. Segundo a corporação, podem existir outras citações ou referências indiretas ainda não identificadas pela equipe policial.

O conteúdo veio a público nesta 3ª feira (1º.set.2026), depois que Mendonça derrubou o sigilo da ação. Leia aqui todos os documentos.


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