O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone neste domingo (26.jul.2026) com o presidente da China, Xi Jinping (Partido Comunista da China). Segundo nota do Itamaraty, a chamada durou mais de uma hora e tratou tanto da relação bilateral entre os países quanto desafios globais como a governança da ONU (Organização das Nações Unidas) e a guerra no Oriente Médio. Eis a íntegra da nota do Itamaraty (PDF – 144 kB).
Esse é o 1º contato direto entre Lula e Xi desde que os Estados Unidos apertaram a economia brasileira com a implementação de duas tarifas na mesma semana, o tarifaço setorial de 25% e a investigação de “trabalho forçado” de 12,5%. A nota do Itamaraty não menciona os EUA ou suas tarifas, mas afirma que os líderes conversaram sobre minerais críticos –grupo que inclui as terras-raras– e cooperação em IA (inteligência artificial). São 2 temas caros para os EUA, principalmente os minerais brasileiros.
O Brasil detém a 2ª maior reserva de terras-raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, o que pode ser uma das maiores vantagens para o governo brasileiro negociar com os EUA. Os norte-americanos miram esse potencial brasileiro para desenvolver seu próprio parque de refino dos minérios e já sinalizou que as terras-raras podem ser determinantes nas negociações.
O interesse norte-americano também passa por manter a China afastada desses recursos. Do outro lado, a China domina a produção e o refino global das terras-raras e também está de olho nas reservas brasileiras pelo mesmo motivo –manter a indústria norte-americana atrasada perante a chinesa.
Lula também disse a Xi que deseja acelerar o acordo Mercosul-China, o que a nota do Itamaraty informou que foi bem recebido pelo líder chinês.
CARNE BOVINA TAXADA
A nota do governo brasileiro não menciona um esforço de Lula para impedir a sobretaxa da carne bovina brasileira vendida para a China. O documento diz apenas que os líderes “destacaram os bons resultados do comércio bilateral”.
A carne brasileira está em vias de ser afetada por uma tarifa chinesa de 55% depois de já ter atingido sua cota de exportação ao país asiático. Esse sistema de cotas chinesas foi implementado por Pequim em dezembro do ano passado.
Embora a atualização do governo chinês da semana passada diga que o Brasil bateu 80% da cota, na prática o país já esgotou seus embarques sem a cobrança extra e aguarda apenas a alfândega chinesa contabilizar a chegada dos envios. A informação de que a cota já foi estourada foi divulgada pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).