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Santos fecha 2º trimestre com deficit de R$ 119,6 milhões

O Santos registrou deficit contábil de R$ 119,6 milhões no 2º trimestre de 2026, segundo dados apresentados pelo Conselho Fiscal aos conselheiros do clube. O resultado ficou 62% acima do valor previsto no orçamento, apesar de a receita ter superado em R$ 35 milhões a estimativa para o período. O balanço será discutido pelos conselheiros em reunião marcada para 2ª feira (14.set.2026).

Entre abril e junho, o clube registrou R$ 126 milhões em receitas, ante os R$ 91 milhões previstos. As despesas operacionais, porém, alcançaram R$ 165 milhões. Outros gastos somaram cerca de R$ 18 milhões.

ENDIVIDAMENTO DO CLUBE

O passivo total do Santos, ou seja, as dívidas do clube informadas pela diretoria, é de R$ 1,193 bilhão. O valor considera compromissos de curto e longo prazo e exclui receitas diferidas. Para o Conselho Fiscal, porém, o montante chega a R$ 1,242 bilhão, uma diferença de R$ 48,4 milhões.

A divergência está nas obrigações de longo prazo. O clube calcula esse valor em R$ 864,9 milhões, enquanto o Conselho Fiscal considera R$ 913,3 milhões. Já as dívidas e compromissos que precisam ser pagos no curto prazo somam R$ 619,6 milhões, valor reconhecido tanto pela diretoria quanto pelos fiscais.

Na prática, portanto, a diferença entre os dois cálculos está nos compromissos que o Santos terá de pagar nos próximos anos.

DÍVIDA COM NEYMAR

O Conselho Fiscal também cobrou da contabilidade do Santos informações mais claras sobre a dívida de direitos de imagem de Neymar, paga à NR Sports. A empresa é ligada à família do jogador. 

Segundo o órgão, não foi apresentada uma conciliação suficiente para mostrar o valor total da dívida e sua divisão entre compromissos de curto e longo prazo.

O Santos já havia negociado o pagamento da dívida com Neymar em parcelas que podem chegar a 80 meses.

SALÁRIOS DOS JOGADORES

O relatório também registra atrasos no pagamento aos jogadores. Em maio, o pagamento dos direitos de imagem atrasou por 1 mês. Segundo o documento, os débitos foram posteriormente regularizados.

O Santos desembolsou R$ 14,2 milhões em salários em maio e outros R$ 15,1 milhões em direitos de imagem, totalizando R$ 29,3 milhões destinados aos atletas no mês.

O valor caiu cerca de R$ 10 milhões em junho, quando o calendário de jogos parou por causa da Copa do Mundo. O Conselho Fiscal, contudo, não informou se a redução temporária dos gastos foi utilizada para diminuir dívidas de curto prazo.

Desde então, o Santos perdeu alguns jogadores e contratou outros 5 reforços, o que pode alterar novamente o custo da folha.

EMPRÉSTIMOS

Diante da pressão sobre o caixa, a diretoria aumentou a utilização de mecanismos de financiamento.

Os empréstimos de curto prazo chegaram a R$ 77,7 milhões no período. O Santos também antecipou R$ 20,1 milhões em recebíveis junto à MLD Capital.

O Conselho Fiscal alertou para o risco de ampliar a dependência de receitas futuras. A antecipação melhora o caixa no curto prazo, mas reduz os recursos disponíveis nos períodos seguintes e pode aumentar a pressão financeira sobre o clube.

Outro ponto de atenção é a situação tributária. O Santos possui 8 parcelamentos ativos e está com a Certidão Negativa de Débitos vencida por causa de parcelas pendentes relacionadas a tributos.

O cenário financeiro será levado aos conselheiros na reunião de 2ª feira (14.set), quando o clube deverá analisar os números do 2º trimestre e as ressalvas apresentadas pelo Conselho Fiscal.

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