O Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. A votação ocorreu nesta 4ª feira (29.abr.2026) e registrou 42 votos contrários e 34 favoráveis. Estavam presentes 79 dos 81 senadores na sessão. O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou que o resultado da votação evidencia a perda de governabilidade da atual gestão.
Segundo o congressista, a derrota do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se deu de forma espontânea, sem que houvesse uma articulação direta de sua parte. Já o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), afirmou que “a oposição entregou todos os votos prometidos”.
Em conversa com jornalistas, Flávio Bolsonaro afirmou que a rejeição de Messias é a prova de que o governo Lula perdeu completamente a governabilidade.“É um governo que não consegue mostrar atração, não consegue dar uma diferença para a população e resolver os problemas sociais e trata mal a população”, disse.
Ao comentar a votação, o senador destacou o caráter orgânico do resultado. “Pela primeira vez, vi algo acontecer de forma espontânea. Não houve articulação, ao menos da minha parte; não trabalhei pedindo votos contrários”. Segundo ele, sua atuação restringiu-se a explicar seu posicionamento a quem o consultava.
O senador também direcionou críticas à Corte, afirmando que uma ala do STF tem agido de forma “exagerada e fora da lei”. Para ele, tais magistrados —sem citar nomes— desrespeitam a Constituição e atropelam prerrogativas parlamentares, quebrando precedentes para “perseguir um espectro político de direita no Brasil”.
Portinho, por sua vez, destacou que os poderes precisam buscar harmonia. “Eu acho que agora é a hora de todo mundo baixar a bola. Os poderes precisam sentar à mesa, buscar harmonia, parar com esse jogo, o sistema de freio e de contrapeso tem que funcionar, e a gente mostrou hoje que a gente tem um limite”, afirmou.
“Trabalhamos ‘de sapatinho’, como se diz nos bastidores, conquistando voto a voto. Eu tinha o placar em uma planilha feita à mão e errei o resultado final por apenas 2 votos, devido ao quórum”, detalhou o líder na Casa Alta.
O senador e líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), criticou a indicação ao afirmar que Messias “não era alguém que pudesse pacificar”, comparando-o a um “militante” dentro do Supremo Tribunal Federal.
Marinho celebrou a postura do Senado, afirmando que a Casa deu uma demonstração de que é um “organismo livre”. O senador concluiu esperando que o Senado mantenha essa autonomia daqui por diante, “porque a sociedade brasileira precisa”.